Olimpia 3-2 Flamengo: 4-4-2 vs 4-3-2-1 no Defensores del Chaco

Dando sequência à nova diretriz do blog, voltado ao futebol SUDAMERICANO, proponho o debate sobre a vitória do Olimpia sobre o Flamengo por 3 a 2, semana passada, no Estádio Defensores del Chaco. No rubro-negro carioca o técnico Joel Santana tentou reunir a ortodoxia tática de um modelo tipicamente europeu  com a movimentação característica dos jogadores brasileiros com predileção pelos lados do campo.

O sistema tático base do Flamengo, distribuição que origina todos os movimentos coletivos, foi o 4-5-1 com tripé de volantes e dois meias ofensivos. O desenho pode ser desdobrado em 4-3-2-1, e na Itália – onde surgiu, tendo o Milan de Carlo Ancelotti como uma das principais referências – é chamado “Árvore de Natal”.

A razão do apelido é óbvia, o escalonamento da linha defensiva de quatro jogadores, mais três volantes, dois meias fechados e um centroavante de referência lembra o abrigo de presentes natalinos. Da mesma forma como outros desenhos rabiscados pelos diferentes sistemas táticos iniciais provocam analogias com a geometria (losango, quadrado, linha). Exercitem essa criatividade ao visualizar neste frame a Árvore de Natal, ligando os pontos do 4-3-2-1:

No Olimpia, a base tática foi o 4-4-2 em duas linhas, com uma peculiaridade. Um dos meio-campistas centrais, geralmente o uruguaio Orteman, recuava para sobrar entre a defesa e seu setor original. Este movimento o aproximava do combate a Ronaldinho, e deixava o time com uma cara de 4-1-3-2, às vezes:

Sobrepondo-se os dois sistemas e estratégias, na prática o Flamengo não conseguiu desembaraçar as jogadas pretendidas pelos lados. Na direita, o triângulo formava-se com Léo Moura, Luiz Antônio e Bottinelli, e na esquerda com Junior Cesar, Muralha e Ronaldinho. Algumas combinações foram bem sucedidas, principalmente quando a jogada saía do lado para o meio, procurando o pivô curto de Vágner Love – que pode devolver para uma infiltração, girar para concluir, ou segurar e permitir o controle da posse.

Mas o Olimpia contou com os extremos Marin e Aranda no bloqueio duplo aos laterais flamenguistas, tendo Orteman preso a R10, e sobra no combate a Love. No vídeo abaixo, há três momentos que ajudam a perceber este contexto tático da partida:

Sair perdendo fez o Flamengo se adiantar, liberando o apoio simultâneo dos laterais, que empurravam Ronaldinho e Bottinelli, em um 4-3-3 extremamente vulnerável. Fechado em duas linhas recuadas e próximas uma da outra, o Olimpia encontrou o jogo mais viável na ligação direta aos atacantes, que invariavelmente recebiam no mano a mano com os zagueiros adversários.

Outro problema na busca pelo empate foi a perda do rebote defensivo. Mesmo com três volantes, mas ansioso com o placar, o Flamengo sofreu dois gols de rebote após afastar a jogada. Sem ninguém à frente da área.

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