Boca Juniors, fiel ao losango argentino

Há poucos dias conversei com torcedores gremistas e colorados sobre a “aura tática” de seus times, procurando não uma estrutura, uma distribuição de jogadores, mas sim um padrão de comportamento. Afinal, os sistemas vão e vêm pelas tendências do momento. Raros são os clubes cujas equipes têm uma “aura” comportamental – Grêmio e Inter têm – mas ainda mais raros são aqueles com um padrão tático histórico. É o caso do Boca Juniors.

Não se concebe um Boca Juniors sem o tradicional 4-4-2 argentino, o 4-4-2 com meio-campo reproduzindo o desenho de um losango (ou diamante, como dizem na Inglaterra – 4-4-2 diamond), o 4-3-1-2. Este sistema surgiu com a Argentina na Copa de 1966, e solidificou-se na conquista do Mundial de 1978.

O losango é tão característico do futebol argentino que não há na teoria tática em qualquer idioma palavras mais adequadas para descrever as funções de meio-campo deste 4-4-2 do que as escolhidas por eles: os vértices laterais da figura geométrica são os “carrilleros”, pois fazem o vai-vem de uma área à outra, defendendo sem a bola e atacando com ela sobre um “trilho” (carrill, em espanhol) imaginário. E o que dizer do “enganche” para descrever a ponta mais adiantada do losango, o articulador ofensivo responsável por ligar o meio com o ataque. Perfeito.

É um sistema adequado às características dos jogadores argentinos, e este modelo ampara um conceito de futebol. Uma “aura”, portanto. Os carrilleros com a intensidade típica dos jogadores de lá, combatendo e aparecendo sem parar…e o enganche cerebral, organizando e se aproximando da área para concluir. Mais futebol argentino, impossível.

E o Boca Juniors sempre se destacou por esta formação. Um dos melhores 4-4-2 losango que já vi foi aquele com Battaglia de primeiro; Vargas e Dátolo de carrilleros; e simplesmente Riquelme de enganche, com Palacio e Palermo na frente. Recentemente, entretanto, a equipe caiu de rendimento – coincidindo com outros padrões táticos, como o 4-4-2 em duas linhas e até o 3-4-1-2 sul-americano. Não combina.

Agora o Boca Juniors recuperou sua formação tradicional. Está jogando no 4-4-2 losango. Reparem neste vídeo – sem Riquelme, que desfalcou a equipe – com lances de uma equipe extremamente estreita (compactação sem a bola), fechando espaços com um losango bem fechado, e saída veloz para o contra-ataque. De acordo com a personalidade, com a identidade copera do clube. As imagens são da tevê argentina, da vitória fora de casa por 1 a 0 – gol de Erviti – sobre o San Martin:

No diagrama tático, a disposição dos jogadores fica assim:

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Uma resposta para Boca Juniors, fiel ao losango argentino

  1. rdish disse:

    Gostei de sua coluna…
    Em outros clubes brasileiros é possível fazer essa pergunta? Com o Cruzeiro, time que torço, não consigo enxergar um ‘esquema tático padrão histórico’. Só sei que os times do clube normalmente são conhecidos por serem técnicos, adeptos do toque de bola, do jogo pensado. Talvez seja interessante levar esse questionamento sobre sobre o ‘estilo do clube x’ para outros clubes do Brasil e até do mundo. Arrisca a começar pelo meu Cruzeiro? rs

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