Palestra “Assim joga o Grêmio”

Semana passada conversei com gremistas convidados pelo movimento político Grêmio Imortal na palestra “Assim  joga o Grêmio”, na escola Perestroika. A proposta era encontrar um padrão de comportamento que unifique as equipes vencedoras, formando uma “aura” do clube. Uma essência que está acima da simples distribuição tática, afinal, os sistemas escolhidos pelos treinadores obedecem a circunstâncias do momento, principalmente à tendência mais forte.

Foram selecionados vídeos de Grêmio x Peñarol (1983), Grêmio x Nacional de Medellin (1995), Grêmio x Corinthians (2001), e do Gre-Nal deste ano. Reiterando: cada equipe tem uma estrutura tática, de acordo com as escolhas do momento. Mas, independentemente da distribuição dos jogadores, há um padrão de comportamento que as unifica: a INTENSIDADE.

Os times vencedores do Grêmio caracterizam-se pela intensidade, com e sem a bola: na posse do adversário, adiantam linhas, compactam setores, agridem com bote alto, pressionam e induzem ao erro; na transição ofensiva, buscam a velocidade com pelo menos um atacante “vibrante”, de vitória pessoal.

Grêmio x Peñarol – 1983
Neste vídeo artesanalmente editado o primeiro trecho, como em todos, identifica a distribuição dos jogadores – neste caso, um 4-3-3 com triângulo de base alta no meio, típico da época (China; Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tarciso). Também selecionei momentos de pressão com linhas altas (rebote ofensivo sob controle, posse agressiva no campo adversário) e de comprometimento defensivo com muita intensidade (Renato perseguindo adversário na cobertura de Paulo Roberto).

Campinho e frame do jogo:

Grêmio x Nacional – 1995
O processo é o mesmo…lance que identifica a distribuição tática, momentos de intensidade ofensiva e defensiva, com ênfase no comportamento de Roger – um lateral que fazia a base defensiva, mas que era sim lateral, e não um terceiro zagueiro, sempre apoiando. Na prática era um 4-4-2 com cara de 4-2-3-1 embrionário: Dinho e Goiano alinhados; Arilson centralizando a articulação, Carlos Miguel na ponta esquerda e Paulo Nunes na direita, recompondo o meio e protegendo Arce. As linhas se adiantavam tanto na marcação que muitas vezes os zagueiros se viam no mano-a-mano enquanto todos retornavam rapidamente.

Campinho e frame do jogo:

Grêmio x Corinthians – 2001
Foi um dos maiores nós-táticos da história do Grêmio. Tite amordaçou o Corinthians no Morumbi com um 3-5-2 desdobrado em 3-1-4-2. Defensivamente formava-se um losango na zaga, com duas sobras: Mauro Galvão cobrindo os zagueiros Marinho e Roger, e Polga cobrindo os meias Tinga e Zinho. Outra característica dessa equipe era o “espetamento” dos alas, com Rubens Cardoso e Anderson Lima adiantados, partindo da linha dos meias. Marcação muito intensa e compactação fizeram o Grêmio controlar o rebote ofensivo e defensivo, tirando os espaços e induzindo o Corinthians à ligação direta.

Campinho e frames do jogo:

Gre-Nal – 2012

Roger aplicou um 4-4-2 losango bem compacto, com a característica marcante dos bons times do Grêmio: muita intensidade sem a bola e com ela. Equipe estreita, compacta, pressionando a bola, forçando o erro de passe, e recuperando a bola com movimentação ofensiva para receber e agredir no campo adversário. Este assunto entrou na pauta não como uma equipe vencedora, mas sim como um caminho viável a ser seguido – tanto que Luxemburgo manteve a estrutura tática e o comportamento da equipe elaborados pelo Roger.

Campinho e frame do jogo:

Este é o padrão que identifiquei: as equipes vencedoras do Grêmio são intensas, o que exige jogadores participativos, preparação física apropriada, e treinadores que pratiquem esta marcação agressiva e façam os atletas se “envolverem com a causa”. Vanderlei Luxemburgo parece concordar com esta constatação, pois desde sua chegada ao Grêmio fala muito da BUSCA PELA IDENTIDADE, da pressão no Olímpico, da agressividade, da intensidade…este é o caminho.

Amanhã pretendo postar a palestra com a aura tática do Inter.

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4 respostas para Palestra “Assim joga o Grêmio”

  1. Danilo disse:

    Excelente post.Show, parabéns. Eduardo queria saber si esses trechos em negrito do texto são uma espécie de resumo ?

  2. Danilo disse:

    Há qualidade nas transmissões dos jogos de futebol na época eram excelentes. Muito diferente do que é atualmente, em termos de análise e informação.

  3. Muito coerente sua análise Eduardo. Inconscientemente o torcedor conhece o tipo de time vencedor do Grêmio, não especificamente quanto à formação, mas quanto à postura em campo e a forma de jogar, com pressão, forçando o erro e abusando do oportunismo.

    É um excelente trabalho, parabéns.

  4. Carlos Fröhlich disse:

    Nas três primeiras análises (83, 95 e 2001), o Grêmio jogava com dois atacantes agudos PELA DIREITA (Renato, Paulo Nunes e Luis Mário) e bons laterais PELA DIREITA (Paulo Roberto, Arce e Anderson Lima), gs quais trabalhavam intensamente com aqueles atacantes agudos pela DIREITA. No meio do ataque tinhamos um centroavante matador que recebia as bolas DA DIREITA. Lembre-se que os gols decisivos do Grêmio, quase que invariavelmente, sempre foram por jogadas pela DIREITA. A esquerda do Grêmio, não que fosse esquecida, mas sempre teve jogadores menos técnicos (Casemiro, R. cardoso e Roger). Nos ultimos anos o Grêmio tenta mudar essa realidade insistentemente. Lembro rapidamente: Andershow, caia pela esquerda, Carlos Eduardo em esquema pela esquerda com Lúcio (2007). Lucio novamente em 2010. Em comum esses times, apesar dos jogadores de qualidade, FORAM PERDEDORES. Esse ano, num verdadeiro resgate do Grêmio, pensei que iriamos ter “A DIREITA” do Grêmio. Moreno e M.Fernandes, fariam o time campeão, com triangulações e infiltrações na área pela DIREITA, com uma vantagem: Kleber mais centralizados, podendo receber tanto de Moreno, do meia (não contratado) e ainda triangular com Julio Cesar. Teríamos dois jogadores matadores com características próprias e podendo participar e receber bolas dos dois lados do campo, bem como do meio. Os três volantes poderiam permanecer com Fernando mais recuado, com Leo Gago cobrindo a esquerda na subidas de J.Cesar e Souza na direita cobrindo M.Fernandes, quando o guri subisse para a ponta direita. O próprio Souza, por ter qualidade, subiria mais pelo meio, ficando o M.Fernandes mais recuado. ACho que a partir daí o Grêmio encaminhava além de um bom time, um time CAMPEÃO, resgatando a verdadeira ESSÊNCIA DO GRÊMIO. Mas daí entra o Gabriel e sua incrível velocidade…. foi-se. DIREITA, VOLVER!
    Abraço!

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