Um novo (e mais correto) Inter para o Mundial?

A partir das saídas de Sandro e de Taison, o 4-2-3-1 elaborado com absoluta precisão por Celso Roth infelizmente definhou. Digo infelizmente porque o sistema tático escolhido pelo técnico do Inter para a fase final da Libertadores conseguiu extrair de cada jogador suas principais virtudes.

Contra São Paulo e Chivas, e também no Brasileirão, o Inter aproximou-se do tiqui-taca espanhol: posse de bola, trocas de passes curtos, movimentação, variações de jogadas, posicionamento ofensivo, e belíssimo futebol. Sem Taison, o Inter perdeu a profundidade. Sem Sandro, careceu de saída qualificada. Aquele tiqui-taca ofensivo e incisivo passou a ser uma troca de passes inerte, entre intermediárias, sem criação de oportunidades, nem brilho.

Roth tem predileção por volantes altos. Acredita ser necessária a imposição física na proteção da linha defensiva para o combate pelo chão, e também para o auxílio na bola aérea. Com isso, Wilson Matias tem lugar garantido na equipe. Ingressou no lugar de Sandro. Rafael Sobis, atacante de conclusão e posicionamento, não conseguiu desempenhar a mesma função do veloz Taison, jogador que rompe defesas com diagonais entre o lateral e o zagueiro.

Parecia-me que o Inter necessitava de uma variação tática. Assim como Celso Roth havia encontrado o sistema perfeito para o Inter no 4-2-3-1 com Sandro e Taison, chegava a hora do treinador colorado – às vésperas do Mundial – trabalhar uma alternativa mais eficiente com a posse de bola sem estes dois jogadores. Um sistema da mesma forma adequado às virtudes dos jogadores que ficaram, e dos jogadores que entraram.

Ontem isso aconteceu. O Inter goleou o Prudente utilizando-se do 4-4-2 em losango. Wilson Matias aprofundou o posicionamento, como um líbero à frente da área; Tinga e Guiñazu, dois apoiadores natos, formaram a segunda linha atuando nas posições onde mais rendem; D’Alessandro precisou sacrificar-se, saindo do lado direito para voltar à articulação central, onde é combatido pelos volantes adversários; e Sobis foi à frente, assessorar Alecsandro.

Deu tudo certo. Matias, apesar das faltas em excesso, protegeu a linha defensiva. Com ele e com a cobertura dos apoiadores Tinga e Guiñazu, os laterais puderam apoiar. Um gol saiu de jogada com Kleber, outro em avanço de Nei. D’Alessandro desdobrou-se com muita movimentação para sair da marcação. Sobis contribuiu, e Alecsandro voltou a marcar gol.

Isso não parece ser uma coincidência: o centroavante colorado estava desabastecido pela linha ofensiva sem Taison, e pelo meio sem Sandro. O Inter produzia pouco. Sobis está próximo, os laterais passam, Tinga e Guiñazu apoiam, e D’Alessandro vale por três, indo do meio para a direita e para a esquerda. Desta forma, Alecsandro fez um gol e serviu Tinga em outro.

Com o 4-4-2 em losango ganham Matias, Nei, Kleber, Tinga, Guiñazu, Sobis e Alecsandro. Ganha o Inter, portanto. Claro que o adversário era o decrépito Prudente, rebaixado há muitas rodadas. Foi uma amostra inicial. Roth já concedeu entrevistas dizendo que o 4-2-3-1 ainda é o sistema preferencial. Mas este 4-4-2 em losango pode ser o grande fato novo do Inter para a conquista do bi Mundial.

P.S: Sei que Índio não atuou ontem, foi o Ronaldo Alves. E Matias não jogou com a 20. Mas o diagrama tático que ilustra o post projeta este 4-4-2 em losango sobre o time considerado titular do Inter.

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4 respostas para Um novo (e mais correto) Inter para o Mundial?

  1. kadumbr disse:

    Valeu Bruxo,perfeito! pena que o Roth demorou tanto para por em pratica este esquema,o próximo jogo já é no Mundial,mas nos dá mais esperança!

  2. Nicolas disse:

    Muito boa a formação tática. O 4-4-2 em losango cria boas oportunidades de articulações para a equipe, bem como transições equilibradas de jogadores. Como gremista, acho uma pena o Inter se acertar as vésperas do mundial, poderia demorar um pouco mais!

    *”Com ele e com a cobertura dos apoiadores Tinga e Guiñazu” – Gosto do termo apoiadores, acho que fica bem “aportuguesado” para a função e já o uso a algum tempo.

  3. Prestes disse:

    Melhor pro Guinazu, é mais a dele, do que volantão. Ruim pro Dalessandro.

  4. Leonardo Sander disse:

    Mas o D’Alessandro não se sacrifica d+? Se bem que dá pra deixar ele se movimentar pelos lados, quando se tem Tinga e Guiñazú no meio. E mais 2 coincidências neste Mundial de Clubes: O adversário do Inter na semi é um africano, e o esquema(provavelmente) é um 4-4-2 com meio em losango.

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