LDU, equatoriana mas com cara de Gauchão

Depois de deixar escapar a vitória fácil na altitude de Quito – fazia 3 a 0, mas sofreu dois gols – a LDU deixou a Copa Sul-Americana pelo saldo qualificado. Ontem à noite perdeu para o Independiente em Avellaneda por 2 a 1, e verá os argentinos fazerem a final com o Goiás.

Foram dois confrontos tecnicamente muito fracos. Há jogadores medianos em profusão nas duas equipes. Para piorar, ambos jogam com sistemas de três zagueiros, dois volantes e alas-lateralizados – o Independiente em um 3-6-1 já analisado no blog – leiam aqui.

A LDU adota um meio termo entre o 3-5-2 e o 3-6-1. Sem enganche, ponta-de-lança ou articulador, forma um bloqueio de três volantes sucedendo os três zagueiros. Para compensar, o atacante Salgueiro recua da direita para o meio, buscando o jogo com o volante Urrutia – mais adiantado do trio. Prefiro conceituá-lo como 3-5-2, mas não discordarei de quem ver em Salgueiro um meia-ofensivo.

Falta qualidade, entretanto, para Salgueiro levar a bola até o não menos limitado centroavante Barcos. Com alas presos à marcação lateral, e sem a passagem dos volantes, a LDU abdicou do controle da posse e permitiu ao Independiente fazer o mínimo placar necessário.

Com a bola, os zagueiros tentam empurrar os alas para a frente. Movimento que acontece com Guagua e Reasco na direita; e com Calderón e Chila na esquerda – Jorge Fossati fazia muito isso no Inter do início da temporada. Entre os volantes, Urrutia tenta ser o mais apoiador, pendendo à direita em auxílio a Salgueiro, enquanto De la Cruz completa a triangulação canhota. Para compensar o avanço eventual dos zagueiros, a obsessão pelo trio defensivo faz o volante W.Araújo recuar e manter o sistema intacto.

Além de Fossati no Inter, este modelo é semelhante aos sistemas com três zagueiros importados por técnicos dos mais recentes Campeonatos Gaúchos – Agenor Piccinin fez isso no Santa Cruz, Tonho Gil no Ypiranga, e Gilmar Iser em praticamente todas as equipes que dirigiu – citando apenas exemplos que acorrem agora à memória.

Ao Goiás, a boa notícia. A fraca LDU não passou, mas a altitude também ficou pelo caminho. Também com jogadores limitados – principalmente nas três posições ofensivas – o Independiente é um adversário ‘batível’ pelos brasileiros na decisão da Sul-Americana. Dá para ganhar.

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Uma resposta para LDU, equatoriana mas com cara de Gauchão

  1. Juliano disse:

    Cecconi, nos exemplos de técnicos que citaste fiquei com a impressão de que o esquema só é utilizado pela falta de qualidade no elenco. Exemplo é o Gilmar Iser, na série C 2010 no G.E. Brasil ele não utilizava esse esquema de forma tão defensiva, talvez devido à melhor qualidade dos jogadores (de lado de campo) que eram muito ofensivos. Mas o 3 zagueiros, esses sim, estava SEMPRE lá…
    Pena que ele chegou tarde ao Xavante e que o gramado do nosso templo não ajudou!

    Esse blog é 10!
    Parabéns…

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