Sunderland: as duas linhas que bloquearam o Chelsea

Não é segredo minha admiração pelo 4-4-2 britânico – pela disposição dos jogadores nas duas linhas, pela eficiência da marcação por zona com pressão sobre a bola e cobertura definida, pela variação das jogadas na transição ofensiva, e pela articulação coletiva – sem a determinação de um protagonista que, se for marcado, emburrece o time. Clássico e ortodoxo sistema tático utilizado nesta temporada pelo Sunderland, mais uma vez.

Da mesma forma, também admiro o 4-3-3 com triângulo de base alta, com dois apoiadores à frente de um volante central. Concordo com o conceito de José Mourinho, que vê neste sistema com três atacantes a melhor ocupação de espaços no campo. É a base tática do Chelsea de Carlo Ancelotti, líder da Premier League.

Em Londres, no confronto deste 4-3-3 anfitrião contra o 4-4-2 em duas linhas visitante, deu Sunderland. E por assustadores três gols a zero. Resultado que surpreende pelo retrospecto recente do Chelsea.

No 4-4-2 em duas linhas, o Sunderland adotou como estratégia defensiva principal bloquear o avanço lateral do Chelsea. Esta é uma das principais alternativas dos Blues na transição ofensiva: apoio duplo pela direita com Anelka e Bosingwa (ou Ivanovic), ou apoio duplo pela esquerda com Ashley Cole e Malouda. Os apoiadores – foram Zhirkov e Ramires – avançam para a segunda bola, mais centralizados, e participam da articulação apenas na troca de passes, infiltrando-se pouco, e concluindo ainda menos.

Com o sistema britânico, o Sunderland fechou também duplamente as portas do avanço lateral do Chelsea. Os laterais Onuoha (direita) e Bardsley (esquerda) não deixaram a base em nenhum momento. A linha defensiva não se desfez, o que manteve os zagueiros protegidos, e restringiu o espaço onde Anelka e Malouda se movimentam. Zenden e Richardson, como wingers, avançaram pelos lados – mas também se ocuparam em marcar os laterais do Chelsea.

Por dentro, os meias centrais Cattermole e Henderson seguiram o exemplo dos laterais, e pouco avançaram, mantendo a frente da área bloqueada, e o controle dos rebotes defensivos. Na frente, Welbeck e Gyan ‘tocaram o terror’, movimentando-se de lado a outro, apresentando alternativas ao contra-ataque.

A posse de bola do Chelsea aproximou-se dos 60%. Mas o Sunderland teve mais de 20 oportunidades de gol criadas – marcou três. A estratégia é arriscada – abdicar da posse de bola, recuar linhas e apostar no contra-ataque veloz, com eficiência nas conclusões. Costuma dar errado. Mas domingo, em Stanford Bridge, deu muito certo.

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Uma resposta para Sunderland: as duas linhas que bloquearam o Chelsea

  1. Valter Correia disse:

    boas

    desde ja parabens ao sr cecconi pelo post, desde ha algum tempo que sigo as suas dicas sobre teoria tactica, mas vi este post e pela primeira vez vim deixar um comentario

    nao vi o jogo, mas sabia do resultado, algi de muito inesperado.
    vim aqui ver se tinha alguma coisa e mais inesperado foi ter escrito um relatorio assim tao apos o fim do encontro

    parabens e pelo blog prelecao, muito bom tambem

    continue o trabalho que tem feito, para ja a melhor referencia que encontro na internet para teoria tactica

    abraco

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