O novo Roth dá lugar ao velho Roth

No Inter, Celso Roth contraria um histórico de planejamentos voltados ao combate, à marcação, e ao defensivismo. Encontrou um grupo qualificado, identificou os protagonistas, e organizou um 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1) com estratégia ofensiva. Prioriza-se a posse de bola, há trocas de passes, triangulações, tabelas, passagens, movimentações. Uma espécie de ‘tiki-taka’ colorado, uma grande formação, justa campeã da Libertadores. Com todo mérito a Celso Roth.

Mas logo no Gre-Nal o velho Roth apossou-se do novo. Justificando seu retrospecto em clássicos, o treinador do Inter abdicou de tudo o que ele mesmo construiu de bom no time do Inter. E sistematizou um 3-6-1 com marcações individuais, idêntico ao sistema que ele mesmo adotara no Grêmio em 2008.

Glaydson entrou para marcar Jonas. E como Jonas é atacante, aprofunda o posicionamento pelos lados, tornou-se zagueiro. Índio fez a sobra, e Bolívar marcou individualmente André Lima. Uma clara formação com três zagueiros. Quando Jonas invertia o lado, Glaydson acompanhava, e a dupla Bolívar-Índio invertia os posicionamentos.

Outras perseguições: Wilson Matias em Lúcio, Guiñazu em Douglas, Nei e Kleber batendo respectivamente com Fábio Santos e Gabriel. Giuliano e D’Alessandro combatiam quem fizesse a saída de bola, fosse Paulão, Vilson ou Rochemback.

O que proporciona este 3-6-1 com marcações individuais? A desorganização da própria equipe. Os jogadores precisam acompanhar os adversários, e quando a equipe retoma a bola, o time está emaranhado. Não consegue sair, perde a transição ofensiva, e desta forma devolve a bola ao adversário. O time joga para não deixar jogar, mas também não consegue jogar. Uma estratégia anti-futebol.

Foi isto o que aconteceu no primeiro tempo. O Inter abdicou da sua principal virtude com o novo Roth. Não quis a posse de bola, oferecendo-a ao Grêmio. Também abdicou da busca pela vitória, jogando apenas para combater o Grêmio. E a estratégia ‘não quero vencer’ deu certo, afinal, André Lima marcou um gol aos 36 minutos.

No segundo tempo, o novo Roth pediu licença e corrigiu os erros do seu alter-ego. Entrou Rafael Sobis em lugar de Glaydson, configurando um 4-4-2 com Giuliano aberto pela direita, e D’Alessandro pela esquerda – praticamente em duas linhas. Sobis foi o atacante que saía do meio-campo central para o apoio a Alecsandro.

O Grêmio seguiu melhor, atacando e marcando no campo do Inter, mas a diferença foi o contra-ataque colorado. Da desorganização proporcionada pelas perseguições individuais o Inter passou ao posicionamento inteligente dos combates por zona do 4-4-2. Quando recuperava a bola, tinha saída, estava organizado, e podia executar a transição ofensiva. Fez dois gols, sofreu um, ‘venceu’ o segundo tempo, e empatou a partida.

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3 respostas para O novo Roth dá lugar ao velho Roth

  1. Rodrigo Schmitz disse:

    Bela análise, Edu.
    Desde o início do jogo ficou muito claro que Glaydson fazia papel de zagueiro perseguindo Jonas.
    Na minha opinião, o grande problema com 3 zagueiros (seja 3-5-2 ou 3-6-1) ficou evidenciado ontem:
    Quando o time adversário joga pelas pontas, o lateral sempre toma bola nas costas. Isso aconteceu ontem várias e várias vezes pelo lado direito da defesa do Inter.
    A movimentação do Jonas e o André Lima deixaram a zaga do Inter maluca. Ninguém cobria as costas do Nei e deu no que deu. Um gol de Fábio Santos.
    Parece que o Kleber percebeu isso e não foi à linha de fundo uma vez sequer no primeiro tempo.
    Agora, eu não entendo o Roth… Desde Julho o time tá acostumado a jogar no 4-2-3-1 e no Gre-Nal o cara resolve mudar. Não tem cabimento.

    Um abraço!

  2. Wilson Farina disse:

    Pois é, o novo Roth tem que voltar a tomar conta, o Inter tem uma tabela favoravel e ainda pode ser campeão brasileiro. Mas tem que querer. E trocar algumas peças (Damião e Derley por Alecsandro e Matias) tbm fariam muito bem. E o mundial é logo ali.

  3. Lucas Berredo disse:

    Este foi o jogo em que Nei, lateral direito, não ganhou uma bola do Fábio Santos. Talvez a saída do Glaydson para a entrada do Andrezinho, jogando em uma linha de três meias ofensivos (ele pelo centro, Giuliano pela direita e d’Alessandro pela esquerda), equilibrasse melhor a formação do Colorado no primeiro tempo. Não entendi essa escolha do Roth com apenas três homens (de fato) de ataque.

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