Cruzeiro, com a estrutura tática de Adilson Batista

Assistir ao Cruzeiro, com posse de bola, é ter a oportunidade de apreciar uma equipe organizada nos mais ínfimos detalhes. Mantida a estrutura tática com a qual Adilson Batista chegou à decisão da Taça Libertadores em 2009, Cuca permite aos mineiros jogar no campo do adversário.

No 4-4-2 com meio-campo em losango, o Cruzeiro ataca com 7 jogadores. Ontem, na derrota para o Grêmio, mesmo fora de casa a estratégia agressiva e ativa da equipe não se alterou. Permanecem na base apenas os dois zagueiros e o lateral do lado oposto, ou então a dupla de defesa e Marquinhos Paraná, vértice primeiro do losango, no combate central.

Todos os demais jogadores distribuem-se no campo adversário, com organização. E aproveitam-se desta estrutura mantida, deste modelo de jogo legado por Adilson, para sincronizar uma enormidade de movimentos inteligentes entre eles. É muito difícil marcar uma equipe como esta.

Montillo infiltra-se na linha defensiva adversária, arrasta marcadores para os lados, abre espaços que ele mesmo pode aproveitar; os apoiadores Henrique e Fabrício passam no auxílio aos laterais, que tanto buscam a linha de fundo como também as diagonais, invertendo momentaneamente a função com os próprios apoiadores, ou com Montillo, ou com os atacantes. Sem exageros, tentar descrever todos os movimentos do Cruzeiro com a posse de bola levaria muito tempo: são sete jogadores aplicando combinações diferentes em um repertório complexo e diversificado.

Sem a bola, a marcação se dá por zona – ontem, entretanto, foi ‘quase individual’, pelo espelhamento com o losango do meio-campo gremista. Thiago Ribeiro ajuda Jonathan, lateral apoiador, combatendo no lado direito.

No segundo tempo Cuca teve uma recaída, alterando o sistema para o 3-5-2. Gilberto substituiu Pablo, tornando-se ala, e Marquinhos Paraná recuou como terceiro zagueiro pela esquerda. Uma clara tentativa de aproximar a marcação e tirar espaços de Júnior Viçosa, atacante que atuou do centro para a direita gremista. Mas essa variação tática não contribuiu para a derrota por 2 a 1, conquistada pelo Grêmio de virada.

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2 respostas para Cruzeiro, com a estrutura tática de Adilson Batista

  1. Permita-me discordar do último parágrafo, professor. Para mim Marquinhos Paraná assumiu a lateral esquerda e Gilberto entrou no vértice esquerdo do losango. Em um certo momento, raro, ele chegou a trocar de posição com Montillo. Coisa rápida. Enfim. Abraços, bruxo.

  2. Olá, tudo bem?

    Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Muit bom mesmo! Mais um sobre análises táticas, um tema que, por sinal, vem crescendo, enfim, no nosso país. Também tenho um blog sobre: http://boleiragemtatica.wordpress.com

    Quanto ao Cruzeiro, recentemente o PVC deu uma declaração que, na minha visão, sintetizou bem o estilo do time, que é, aliás, um estilo do Cuca. “O Cruzeiro não é time que massacre seus adversários”, disse o comentarista da ESPN Brasil. Eu concordo com ele. O time de Cuca é mais bola no chão, cadência e Montillo. O argentino é o cérebro do meio campo, cuja força provém do trio de volantes, que ainda dá qualidade à saída de bola e eficácia na marcação. M. Paraná anulou Douglas…

    Abraços

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