Vasco, no losango e sem centroavante

PC Gusmão propõe uma estratégia interessante ao 4-4-2 com meio-campo em losango do Vasco: abdicar do centroavante. Ao invés de apostar naquela referência predileta de boa parte dos treinadores, a equipe carioca posiciona seus dois atacantes pelos lados do campo.

Éder Luís pela esquerda, e Zé Roberto na direita, cumpriram esta função na vitória de 2 a 0 sobre o Corinthians ontem. Ambos marcaram gols, e da mesma forma: diagonal profunda, do lado para o centro, às costas da linha defensiva. É bem nítida a indefinição da marcação corintiana: no primeiro gol Zé Roberto passa às costas de Roberto Carlos, sem cobertura de nenhum zagueiro ou volante; e o mesmo acontece com Éder Luís entre Alessandro e o defensor central paulista.

Se o centroavante serve de referência ao próprio time, centralizando os passes, lançamentos e cruzamentos, ele também é uma referência ao adversário. Quando uma equipe prescinde desta tática individual, os zagueiros perdem este parâmetro. Quem marcar na área, afinal, se não há ninguém na área? Os atacantes abertos são atribuição dos laterais? Até que se encontrem respostas, pode ser tarde.

O sucesso de ontem do Vasco não significa, entretanto, que é melhor jogar sem centroavante. Há casos em que se obtém vitórias também com dois homens de área – o Bayern costumava atuar desta forma com Klinsmann de técnico. O importante para o técnico é identificar as virtudes dos seus melhores jogadores, e a partir daí definir a estratégia preferencial.

No 4-4-2 em losango do Vasco, Felipe é o ponta-de-lança. Movimenta-se de lado a outro, e com o bom passe característico consegue aprofundar as jogadas para os atacantes. Ele faz a assistência rasteira entre o zagueiro e o lateral. Em diagonal, o atacante recebe com velocidade, sem marcação à frente, e na direção do gol. Jogada comum aos sistemas que privilegiam wingers no futebol inglês – 4-4-2 em duas linhas, ou 4-5-1 com três meias (4-2-3-1).

Sem a bola, o volante Jumar aprofunda a marcação, agrupando-se praticamente à linha defensiva. Rafael Carioca e Fellipe Bastos são bons apoiadores para a segunda faixa do meio-campo, ao mesmo tempo auxiliando Jumar na marcação, e avançando para o rebote ofensivo ou o assessoramento a Felipe na articulação.

Um sistema eficiente, com estratégia simples, e de acordo com as características dos jogadores. Isso chama-se ‘feijão com arroz’, e costuma dar bons resultados.

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2 respostas para Vasco, no losango e sem centroavante

  1. Dudu disse:

    Vou adicionar seu blog como favorito.

    Como disse ontem no Twitter (sodudu), esse posicionamento do Rafael e do Jumar (que antes era feito pelo Nilton) geralmente varia: ora fica o Rafael frente à zaga, ora fica o Jumar.

    O Vasco jogou poucas vezes com os 4, mas quando jogam, é um 4-4-2 com Felipe e Carlos Alberto como meias com o Zé Roberto como atacante, mas esses dois trocam muito de posição, e Éder como atacante, mas vindo muito buscar o jogo. Pode-se até interpretar como um 4-3-3, com 2 deles abrindo pelas pontas. O único que fica mais preso à armação é o Felipe. ZR e EL gostam de cair mais pelas pontas.

    Abraço!

  2. Bruno_Itu disse:

    Vasco fez seu jogo. Sempre em velocidade fez o resultado de 2 à 0 e controlou o jogo. Mas como explicar a tamanha lentidão do Corinthians?

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