Renato apresenta variação tática no Grêmio

No dia 02 de setembro – há exato um mês, portanto – postei no blog Preleção uma análise sobre o 4-4-2 de Renato Gaúcho no Grêmiorelembrem aqui. A estratégia não sugere nenhuma forma geométrica. Não é losango, nem quadrado, muito menos linha.

Ele adotou como base tática da equipe um 4-4-2 com dois volantes e dois meias. Um marcador (Rochemback) e um organizador (Douglas) jogam centralizados, na espinha dorsal completa pelo centroavante (Borges, André Lima); o segundo volante e o meia de movimentação jogam em lados opostos: quando Souza vai para a esquerda, Adilson cai à direita. E Jonas acompanha o posicionamento de Adilson.

Mas hoje, no 3 a 0 sobre o vitória, Renato Gaúcho apresentou uma variação tática interessante, motivada pelos 11 desfalques por suspensão ou lesão:

Ele manteve os dois volantes, Saimon centralizado (como Rochemback), Fernando mais à direita (como Adilson), mas reconfigurou os meias. Sem Douglas, abriu mão do organizador central deixando Lúcio e Maylson pelos lados, respectivamente na esquerda e na direita.

Roberson fez um vai-vem que me leva a duas interpretações, e não vejo erro ou acerto em ambas. São situações idênticas analisadas sob conceitos diferentes. Partindo-se da posse de bola, Roberson manteve o Grêmio no 4-4-2, aproximando-se de Jonas; mas, priorizando a ausência de posse na observação, ele recuou de forma centralizada, marcando a saída do volante e por vezes alinhando-se a Lúcio e Maylson, o que também pode ser visto como um 4-5-1 com três meias ofensivos – ou 4-2-3-1.

Este trio de jogadores ofensivos em suporte a Jonas teve, integralmente, atribuições defensivas. Principalmente no segundo tempo, com a vantagem gremista. Lúcio recuava para marcar, ora pelo centro, ora pelo lado, conforme a movimentação adversária; Maylson, depois Diego, acompanhavam a subida do lateral-esquerdo do Vitória; e Jonas, nas vezes que Roberson passou da linha da bola, voltou para compensar a subida do companheiro.

Renato confere ao Grêmio um sistema tático, um modelo de jogo capaz de render bem com pequenas variações, e estratégia muito eficaz em jogos fora de casa – nos últimos seis, foram dois empates e quatro vitórias em sequência. Bela campanha, que justifica a maior pontuação do segundo turno, mesmo com tantos desfalques e diferença técnica entre titulares e reservas.

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4 respostas para Renato apresenta variação tática no Grêmio

  1. EI!
    este não é “Just another WordPress.com site”! É “o site do guri que namora a menina que divide o apartamento com a Manu”! Isso, com certeza, dará ao seu blog muito mais acesso. Juro!

    EHUHEUHEU

    Pra ser sincera, eu não li o post, estou preocupada c a mega neste momento, mas eu adorei a análise com as camisetas! =D

  2. No primeiro tempo, achei o Saimon perdido na proteção à zaga. Isso foi corroborado pela deficiência no primeiro combate. Não foram poucas as vezes em que os meias do Vitória chegaram à entrada da área do Grêmio com apenas o Saimon pela frente e tendo que evitar as faltas. Achei o Fernando nervoso na saída de jogo também.

    Na segunda etapa, o Saimon cresceu na primeira função, eventualmente saindo pelo lado direito; quando ficava mais, era o Neuton quem avançava e saía com a bola junto ao Fábio Santos.

    O Roberson, que foi atacante com Autuori e ponteiro com Silas, está achando um novo posicionamento com Renato, que é o de terceiro homem do meio-campo, caindo pelos lados. Na base, o Roberson jogava no meio-campo, embora não tenha a criatividade de um meia-armador, mas tenha a volúpia e o drible. É um jogador que não cai ao primeiro contato e protege bem a bola.

    Eu concordo mais com o 4-5-1 – ou 4-2-3-1 -, com Lúcio e Maylson nas pontas e Roberson centralizado. Aliás, se o Lúcio for mantido nessa faixa do campo, pode re-editar taticamente, com o Gílson, o lado esquerdo do Grêmio de 2007, do Mano.

    E parabéns pelo blog, Cecconi!

  3. Erik disse:

    Perfeita sua analise. Nada a acrescentar. Parabéns.

  4. Cristiano disse:

    Cecconi, bom saber que continua com outro blog para que possamos acompanhar tuas idéias e seguir por dentro dessas boas discussões!
    No jogo anterior, contra o São Paulo, o Renato fez uma outra variação que também não costuma usar. Com Vilson, Fernando, Lúcio e Douglas, ele formou um losango consistente até a entrada do Kleber Santana.
    Já nesse último jogo, em que pese a qualidade do gramado, me pareceu haver dificuldade maior em reter a bola no ataque por não existir a referência, pois o Jonas, por característica, não faz o pivô e sempre parte para a definição das jogadas. Em compensação teve consistência defensiva. O “feijão com arroz” seria colocar o Roberson de referência e o Jonas na dele. Mas por essas partidas improvisadas, vê-se que o Renato pensa criativo. Mérito dele.

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